segunda-feira, 7 de outubro de 2013

1-2-3-4-5-6.

Há algum tempo atrás, eu estava em Taiwan,
e tinha ido a um mercado noturno. Vi que,
em um prédio de 5 ou 6 andares, havia o
anúncio de um cyber café.
Achei que seria bom enviar alguns e-mails, e
entrei pela porta pequena e escura. O prédio
era velho e parecia não ter recebido reparos
por um bom tempo, mas isso é bastante
comum em Taiwan. A entrada levava a um
salão escuro, no qual havia apenas um
elevador.
Apertei o botão e entrei. O elevador era
incrivelmente novo comparado ao prédio,
mas não pensei muito a respeito. Como é
comum em prédios da China e de Taiwan,
não havia um quarto andar (é considerado
má sorte, já que no idioma local, "quatro"
soa como "morte"), então os botões eram
1-2-3-5-6, como era de se esperar.
Uma vez que o cyber café estava no sexto
andar, apertei o botão número 6.
Silenciosamente o elevador começou a
funcionar. Quando parou, achei que havia
chegado ao meu andar e, impulsivamente,
comecei a sair.
Antes de colocar meus pés para fora,
entretanto, a visão do lado de fora do
elevador me fez parar. Estava
completamente escuro, apenas iluminado
levemente pela luz do elevador. Parecia não
ter sido ocupado por décadas, haviam
móveis espalhados pelo lugar, cobertos com
um pano branco ou algo assim. O prédio era
bem pequeno, e cada andar comportava
apenas uma loja ou empresa, então eu podia
ver praticamente todo o andar aonde eu
estava.
Pensei que havia chegado ao andar errado e
olhei para a luz acima do elevador, que
indica em que andar você está. Não havia
nada. Nenhum dos números apareceu ali.
Entretanto, o botão do sexto andar ainda
estava aceso, logo eu não havia chegado
nele ainda. Tudo aconteceu em poucos
segundos.
Foi então que vi uma figura se movendo ao
longe - não era muito visível, mas eu posso
dizer que parecia uma pessoa usando um
vestido, andando lentamente na direção do
elevador, aonde eu estava. Eu estava
completamente apavorado, e comecei a
apertar desesperadamente o botão de fechar.
Tão logo eu apertei o botão, a luz do
elevador se apagou. Eu estava bem perto de
mijar nas calças, e na verdade apenas a
lembrança disso tudo já me assusta. A luz
acendeu novamente após um segundo, a
porta do elevador fechou e ele continuou a
subir. Alguns momentos depois, estava no
cyber café.
Eu estava completamente aliviado agora. Saí
na mesma hora e sentei em um computador.
Depois de recuperar minha calma, fui até o
caixa e falei o que eu vi. A garota que estava
ali, trabalhando, ouviu minha história e seu
rosto ficou pálido. Perguntei se ela tinha
ouvido algo parecido.
Ela disse que nunca passou por isso, mas
alguns colegas e mesmo outros clientes
tinham experimentado essa terrível sensação
- basicamente, o prédio tinha 6 andares, e o
quarto tinha uma história. Ali costumava ser
um salão de beleza, até que uma das
funcionárias cometeu suicídio por qualquer
razão.
Ela cortou os pulsos na área onde era feita a
lavagem de cabelos. O salão continuou ali
por alguns meses, mas eventos estranhos
ocorreram - quando alguns clientes tinham
seus cabelos lavados, a água parecia um
pouco avermelhada, como se o cliente
sangrasse, e algumas pessoas disseram ter
visto pelo espelho uma figura andando ao
longe, mas obviamente não havia ninguém
ali. Poucos meses depois, como era de se
esperar, o salão fechou.
O dono do prédio tentou alugar o andar
novamente, mas nunca teve sorte. Muitas
empresas são superticiosas, e não bastasse
ser o quarto andar, alguém havia realmente
morrido naquele. Ninguém queria alugar
aquele espaço, mesmo por um preço
baixíssimo. Finalmente, quando o preço era
quase zero, uma papelaria aceitou o espaço.
Entretanto, durante a reforma, diversos
acidentes ocorreram.
Feramentas iam parar em lugares aleatórios,
um espelho do antigo salão quebrou em
vários pedaços sem que ninguém chegasse
perto dele, e por fim um funcionário teve
uma das mãos prensadas quando as portas
fecharam inesperadamente. Após isso, todos
os funcionários se recusaram a continuar
trabalhando. A firma for embora, e o dono do
prédio finalmente desistiu. Ele desativou todo
o andar, e a empresa responsável pelo
elevador fez modificações para que o
elevador nunca fosse ao quarto andar.
Permita-me repetir - o elevador estava
programado para NUNCA ir ao quarto andar.
Nem mesmo tinha um botão. Mas, por
algum motivo, algumas pessoas acabavam
chegando até ele e as portas se abriam.
Alguns como eu, tinham a "sorte" de ver
aquela figura andando na escuridão.

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